COTIDIANO/ ENQUANTO HOUVER CRIANÇA... | TR Revista

COTIDIANO/ ENQUANTO HOUVER CRIANÇA...



Haydeé Silva*

 

Resolvi  escrever sobre o Natal algumas palavras para publicar no site e ler na rádio, e a primeira idéia que tive foi falar sobre antigamente, quando meu pai pintava a casa com tinta Paredex, que era  a mais barata, e minha mãe fazia seu tradicional bolo de abacaxi. O Natal tinha, então, cheiro de tinta misturado com bolo assando no forno, e as horas que antecediam a grande data eram passadas em grande expectativa, à espera do presente que era sempre único, um presente só, mas recebido com a maior alegria.
Mas falar sobre Natais passados é coisa que todo mundo faz, então resolvi focar no presente.  Pedir paz para o mundo, o fim dos conflitos, o fim da fome, honestidade para os nossos políticos, sensatez para os fanáticos religiosos...Um novo país para os refugiados da Síria...Isso também muita gente deve ter pedido. Então,  o que sobrou para dizer, para pedir, para  recordar? Quase nada, todos os Natais são iguais,  repletos de recordações e bons desejos. Aí, na última quinta-feira,  aconteceu uma coisa que me deu o assunto para esta pequena crônica.
Valéria das Neves Machado, que há algum tempo se tornou minha amiga através do Facebook, promoveu de novo uma festa para as crianças atendidas no Planeta Vida. Como todos sabem, no Planeta há psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros profissionais que atendem não só aos idosos, mas também a crianças, uma parte delas com necessidades especiais. E a Valéria há alguns anos reúne uma centena de amigos, pede aqui, pede ali, um verdadeiro mutirão do bem acontece e as crianças ganham roupas, calçados, brinquedos, doces, enfim, sacolas cheias de presentes, todos novinhos, escolhidos de acordo com a idade de cada uma. E esses presentes são entregues durante um   jantar, ao qual  comparecem as  crianças e suas famílias. Pois bem, apesar de todas as dificuldades, a Valéria fez de novo a festa, na quinta-feira passada, e  como sempre foi o maior sucesso.
Crianças correndo pelo Salão Paroquial, famílias se confraternizando e uma grande preocupação dos voluntários da Valéria em atender a todo mundo bem, comida, refrigerantes e picolés Mil à vontade, e de repente meninos e meninas  começam a correr para a porta, acompanhados  das mães, celulares e máquinas fotográficas em punho. "Ele chegou, ele chegou", era a frase que mais se escutava.
E ele desce do carro do Corpo de Bombeiros. De roupa vermelha, barba branca, gorro e tudo.  Como todo Papai Noel, este é tamanho GG, grande e gordinho, mas  não dá conta de tantos  fãs, é criança demais querendo abraçar, beijar, pular no colo. Não importa QUEM vive o personagem naquele momento. Para os pequeninos, é PAPAI NOEL, e pronto.  E naqueles poucos minutos que ele leva para percorrer o salão e sentar na cadeira ao lado dos presentes, percebo que o Natal continuará sempre o  mesmo. Por mais que os homens se matem nas guerras idiotas, por mais que fanáticos religiosos se explodam em nome de Deus, por mais que os políticos roubem lá em Brasília, Jesus vai  nascer de novo todo dia 25 de dezembro, porque crianças sempre existirão, e olhinhos brilhantes sempre aguardarão com ansiedade a presença do velhinho bom, que traz presentes e esperança, fantasia e esperança, alegria, e esperança. Na festa da Valéria,  percebi que o que faz o verdadeiro Natal é a inocência  das crianças, que acreditam  em Papai Noel venha ele de trenó, helicóptero, ou no carro dos bombeiros. Um homem de roupa vermelha que sobrevive ao passar do tempo da mesma forma que sobrevive, e para sempre sobreviverá, o milagre do nascimento de Jesus. Que os adultos possam, da  mesma forma que as crianças, acreditar que ELE existe, e nos traz não apenas no Natal, mas em todos os dias do ano, um presente que jamais devemos recusar: a ESPERANÇA. Feliz Natal!!!    

* Jornalista