EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/TRÊS RIOS E SEU PADROEIRO SÃO SEBASTIÃO | TR Revista

EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/TRÊS RIOS E SEU PADROEIRO SÃO SEBASTIÃO



PRIMEIRA PARTE- CELEBRANDO SEBASTÓS

Grande festa anuncia-se para esta sexta-feira  dia 20 de janeiro.
O calendário apostólico romano em suas datas, ritos e liturgias estará reverenciando um dos seus mais importantes ícones do martírio pela causa cristã: Sebastós (o divino, no original grego), por nós cultuado sob o dístico São Sebastião, à herança religiosa e linguística portuguesa.

Da devoção

A devoção católica do povo trirriense ao padroeiro São Sebastião encerra uma vasta História que já escrevi em diversas ocasiões e sob diferentes óticas: histórica, religiosa e institucional, em livro, opúsculos e páginas da nossa imprensa.
Hoje, porém, trago do assunto uma matéria mais fracionada, na certeza de que os leitores mais interessados no assunto poderão recorrer às fontes que aqui citei.
A origem do padroado apresenta fundamentações distintas, todavia, todas datando dos três últimos decênios do século XIX.
A mais antiga data um pouco antes do ano de 1872 pelo culto nascido da escravaria da histórica e extinta Fazenda Boa União (hoje bairro do mesmo nome).
Tamanho o fervor que a fazendeira, Mariana Claudina Pereira de Carvalho – a celebrada Condessa do Rio Novo – então ainda Viscondessa, no ano supracitado mandou erigir em ponto elevado da fazenda uma capela em louvor ao santo devotado.

A preciosa fonte do historiador Guilherme Bravo

Foi pelos idos da década de 1980 que o extinto jornal “O Cartaz” publicou do historiador Guilherme Bravo um antigo artigo sobre essa capela:

“Desde tempos remotos observa-se que os habitantes desta região consagram muita devoção ao protetor de nossa paróquia.
Segundo o “Paraibano” de 10 de fevereiro de 1872, o glorioso mártir teve a sua proteção invocada como padroeiro da capela da fazenda Boa União, conforme adiante se vê:
“Na fazenda da Exma. Snra. Viscondessa do Rio Novo foi inaugurada no dia 20 de janeiro próximo passado uma capela com a vocação de São Sebastião, obra feita com o legado de seu falecido marido, e os mais dispêndios, pela excelentíssima senhora.
Consta-nos que está bem acabada e paramentada esta capela.
Louvores a quem representa a tradição católica de sua família”.

"Esse templo eu o conheci em ruínas, por volta de 1918. Recordação pouco expressiva de um passado distante, mantinha-se de pé do lado de cima da estrada União e Indústria, bem defronte do vestuto casarão da fazenda Boa União.Num adro circundado por elegante gradil, como que velava o antigo solar dos Viscondes do Rio Novo, então habitado pelo major João da Costa Ribas, casado com a Exma.Sra. Claudina Pena Ribas, filha do conceituado e antigo médico deste município, doutor Randolpho Augusto de Oliveira Pena e sobrinha da Viscondessa do Rio Novo”.

O segundo templo devotado a São Sebastião


A segunda fundamentação passada aos tempos sobre a devoção data dos anos finais do século XIX. Pode ser encontrada no livro “A Matriz de São Sebastião de Entre -Rios e outras anotações históricas” (Esdeva – 1971), do historiador Hugo José Kling.
Traça como enredo quando um fiel, morador aflito, rogou em uma promessa ao santo (então protetor contra as pestes e epidemias) para que o povoado de Entre-Rios se visse livre das terríveis epidemias de colerina que grassavam pelo seu território. Essa versão de padroado dá destaque ao primeiro médico do lugarejo, Dr. Cândido de Carvalho Lima, citado mesmo como protagonista da devoção.
Graça alcançada a promessa foi paga com a ereção em 1891 de uma capela, sob os auspícios da construção pelo povo agradecido. Esse templo foi levantado no espaço onde hoje se vê a decomposição da antiga Rodoviária Roberto Silveira, a popular Rodoviária Velha,  e ali celebrou totalmente os seus ofícios religiosos até 1936.
A capela de 1891, já nos anos de 1920, visto o acelerado crescimento da comunidade católica, logo viu seu espaço insuficiente para comportar tantos fiéis. Por tal motivo, em 1931 foi iniciado um movimento popular para a construção de um templo maior, a nossa hoje Igreja Matriz de São Sebastião. Após muita dedicação de sua comunidade católica, e da não-católica, finalmente foi sagrada no dia 25 de maio de 1942.

Fotos :
1 . São Sebastião
2. Fazenda Boa União
3. Fazendeira Alcina Sá de Almeida