EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/TRÊS RIOS E SUA GENTE | TR Revista

EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/TRÊS RIOS E SUA GENTE



Dentro do processo humano da formação do povo brasileiro três elementos raciais também foram a argamassa que moldou e deu vida a gente trirriense.
A mesma matriz: índio, negro e branco, todavia cada elemento de per si imprimiu por Três Rios marcas personalizadas numa herança de características individuais bem conhecidas em nosso dia a dia.
O primeiro elemento a reinar por estas plagas foram os índios Puris, num tempo imemorial e em estado de natureza.
Os Puris foram os primeiros habitantes do Vale do Paraíba e é atualmente grupo indígena considerado extinto. Debret afirmava: " Nada mais eram que fragmentos da grande raça dos Tapuias.”
Em nossa terra eram donos de um extenso território que ia – com bastante modéstia- do atual município de Comendador Levy Gasparian até o bairro de Moura Brasil onde pervagavam absolutos em tropelias selvagens. Sua aldeia tinha grande localização à desembocadura na margem direita do rio Paraibuna (no seu encontro com os rios Paraíba do Sul e Piabanha (Kling, 1971).
Hoje os índios Puris estão aqui mais vivos do que nunca em importantes homenagens em marcas urbanas. Seja em um curso d’água que se engrossa no bairro Monte Castelo e atravessa todo o centro da cidade, outrora límpido riacho ( e hoje problemático) córrego Puris, seja como patrono de batismo de importante bairro com grandes conjuntos habitacionais , grande população, entre outras recordações da nossa população nativa.
O negro é outro tronco da nossa gente com acesso às nossas cercanias através do branco da aristocracia rural para a mão de obra escrava, logo nos primeiros anos do século XIX .Muito grande foi a entrada de escravos por aqui. Nem mesmo a severidade da lei de 1854, que proibia o tráfico negreiro, foi o bastante para a compra e entrada clandestina de escravos para as nossas ricas propriedades rurais locais e adjacentes. Sob o argumento da estabilidade econômica daquela conjuntura.
Vemos perpetuar em Três Rios uma maciça e prioritária população negra com fundamentação direta na alforria concedida em 1882 pela Condessa do Rio Novo aos seus escravos da Fazenda Cantagalo.
A abolição desses escravos veio acompanhada por um amplo assentamento de terras para as mais de duas centenas de famílias escravas libertas que, na colônia a elas destinada – a Colônia Agrícola Nossa Senhora da Piedade, tem hoje o progressista bairro de Vila Isabel – a maioria fixou-se e formou grande prole.
Por assim ,não é demais dizer que os negros representam a população original trirriense, secundada pelo natural processo da mestiçagem.
Brancos ,negros e índios ,assim é Três Rios e sua gente.
Presenças de tempos remotos, de momentos em brumas do pretérito, em saga que escreve a valorosa existência humana por aqui.
Assim também hoje, Três Rios e sua gente, na miscigenação física e espiritual que nos enleva e nos reúne.