SAÚDE/TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO - TOC | TR Revista

SAÚDE/TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO - TOC




O TOC -  transtorno obsessivo-compulsivo,  é um distúrbio de ansiedade cuja principal característica é a presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.

Pacientes com este transtorno sofrem com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente, sem que eles consigam,  muitas vezes,  controlá-los ou bloqueá-los. Para esses pacientes, a única forma de controlar esses pensamentos e aliviar a ansiedade que eles provocam é por meio de rituais repetitivos, que podem muitas vezes ocupar o dia inteiro e trazer consequências negativas na vida social, profissional e pessoal. Esses rituais são  chamados de compulsão, um tipo de comportamento irracional e repetitivo que segue um padrão de regras e etapas extremamente rígido, geralmente pré-estabelecido pela própria pessoa, que acredita que, se deixar de cumprir o ritual, algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em que a doença não é tratada ou diante de algum evento estressante ou traumático. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são muito importantes e essenciais para a recuperação. No Brasil, cerca de quatro milhões de pessoas sofrem com este distúrbio psiquiátrico.

Tipos

Existem dois tipos de TOC: o transtorno obsessivo-compulsivo no qual predominam os pensamentos obsessivos, mas a pessoa não  necessariamente apresenta comportamentos compulsivos,  e o transtorno obsessivo-compulsivo, caracterizado pelas obsessões e rituais que se repetem com frequência, cuja ansiedade só pode ser aliviada e controlada por meio dos rituais, que são repetidos compulsivamente e que chegam a atrapalhar diretamente na vida de quem sofre com a doença e de pessoas próximas.

Causas

Alguns pesquisadores acreditam que o TOC pode ser resultado de alterações ocorridas no corpo ou no cérebro da pessoa. Outros estudos apontam o distúrbio para uma pré-disposição genética – muito embora os genes que estariam eventualmente envolvidos não tenham sido identificados até agora.

Fatores ambientais, como infecções, também parecem estar envolvidos. Pesquisas adicionais, no entanto, ainda precisam ser realizadas para corroborar essa hipótese.

O que já se sabe é que esta doença se manifesta por um conjunto de fatores sendo eles desde hereditários até o fatores relacionados ao estilo de vida, situações de estresse ou estrutura familiar frágil.

Fatores de risco

Os principais fatores capazes de aumentar o risco de uma pessoa desenvolver o transtorno obsessivo-compulsivo incluem histórico familiar, como ter algum membro próximo da família com diagnóstico positivo de TOC ou outras doenças psiquiátricas, e acontecimentos traumáticos e estressantes que tenham ocorrido na vida da pessoa, como a morte de um ente querido ou um acidente grave. O TOC atinge a mulheres e homens na mesma proporção. A doença surge durante a infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas também pode iniciar na vida adulta.

Sintomas de Transtorno obsessivo-compulsivo

Os principais sinais e sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo consistem basicamente em duas partes, que dão nome à doença: obsessão e compulsão. No entanto, é comum encontrar pessoas que desenvolvam apenas um dos tipos de sintomas.

Sintomas de obsessão

Uma obsessão, dentro do transtorno obsessivo-compulsivo, consiste em uma série de imagens, pensamentos e ideias que vêm à cabeça da pessoa insistente e repetidamente, sem que ela possa controlar. Geralmente, a obsessão vem seguida da compulsão, que nada mais é do que uma forma de se livrar da própria ansiedade, através de rituais e comportamentos repetidos e irracionais. No entanto, a obsessão em uma pessoa com TOC também pode manifestar-se isoladamente. Os casos obsessivos mais comuns na doença são:

  • Obsessão por limpeza,  geralmente resultado de um medo irracional de contaminação ou sujeira.
  • Fixação por uma organização rígida, que segue obrigatoriamente uma determinada ordem e simetria.
  • Pensamentos agressivos, de autoagressão ou outros pensamentos de carga negativa.
  • Pensamentos indesejados, incluindo  temas sexuais ou religiosos.

Sintomas de compulsão

Em pessoas com TOC, compulsões são comportamentos repetitivos que o paciente se sente compelido a executar para controlar, prevenir ou reduzir a ansiedade causada pelas obsessões ou, ainda, para impedir que algo terrível aconteça. O cumprimento dos rituais característicos do TOC, no entanto, não trazem prazer para a pessoa, sendo capaz de reduzir a ansiedade apenas temporariamente.

Os sintomas de TOC geralmente começam gradualmente e oscilam em intensidade e gravidade durante toda a vida do paciente – dependendo, também, da aderência do paciente ao tratamento e da realização de um tratamento que inclua não somente medicamentos mas também psicoterapia individual. Os picos geralmente acontecem quando a pessoa está vivenciando um período de estresse intenso, mas também podem oscilar aleatoriamente,  sem haver desencadeantes claros.

Alguns pacientes são capazes de compreender que suas obsessões e compulsões são irracionais, mas nem isso acontece,  e nem sempre isso o estimula  a procurar ajuda, pois em geralmente o paciente se sente envergonhado e esconde seus sintomas. Sobretudo crianças têm dificuldade em reconhecer o que está errado.

Buscando ajuda médica

Os sintomas relacionados ao TOC não são simples preocupações com organização, limpeza ou ordem. Muitas pessoas tendem a confundir práticas comuns e cotidianas, como levantar sempre do lado direito da cama, manter a casa limpa e os copos dispostos sempre numa mesma ordem com sinais e sintomas típicos do transtorno obsessivo-compulsivo. Isso é um engano.

Pessoas com TOC desenvolvem essas características de forma muito mais intensa, irracional e acompanhada de interferência negativa na qualidade de vida, por exemplo diminuindo seu desempenho no trabalho, não conseguindo cumprir  regras e horários de convenções sociais, evitando interação social. E é nisso que o médico irá se basear para definir se há necessidade de ajuda de um ou mais especialistas.

Se for pai ou mãe de uma criança que esteja apresentando esses sinais, procure um médico também. Crianças também podem apresentar sintomas de TOC desde cedo e geralmente são caracterizados por necessidade de refazer ou verificar a tarefa escolar várias vezes. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor para o paciente.

Entre os especialistas que podem diagnosticar o transtorno obsessivo-compulsivo estão:

  • Clínico geral
  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Neurologista
  • Pediatra

Diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Para ajudar a diagnosticar uma pessoa com TOC, o médico ou especialista em saúde mental pode solicitar a realização de determinados exames e testes, incluindo:

Exame físico

O exame físico é feito no próprio consultório médico e serve, principalmente, para excluir possíveis outras causas dos sinais e sintomas que a pessoa manifestou – além, é claro, de complicações de saúde de um modo geral.

Testes de laboratório

Estes exames podem incluir, por exemplo, um hemograma completo, triagem para detectar a presença de álcool e outras drogas no organismo, além de um check-up geral, principalmente para medir a função da  tireóide  para poder iniciar tratamento medicamentoso com segurança.

Avaliação psicológica

Um médico ou profissional de saúde mental poderá fazer perguntas específicas sobre seus pensamentos, sentimentos, sintomas e padrões de comportamento. O especialista pode, também, falar com familiares e amigos próximos, a fim de entender melhor o que se passa.

(Fonte: /www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-obsessivo-compulsivo Foto ilustrativa)