UM POUCO DE CRISES DA CULTURA POLÍTICA TRIRRIENSE | TR Revista

UM POUCO DE CRISES DA CULTURA POLÍTICA TRIRRIENSE



 O lamentável episódio da cassação do mandato da prefeita de Areal, Waldeth Brasiel, faz ressurgir às memórias episódios regionais similares. A bem da verdade,  os dois municípios emancipados de Três Rios em 1992 - Comendador Levy Gasparian e Areal - já colecionam momentos pouco recomendados e civilizados em seus históricos político-administrativos tão recentes. Os infantes municípios já amargaram repetidos traumáticos episódios de afastamentos de seus prefeitos, rupturas a ocasionar grande desestabilização política nos primeiros passos de luz própria institucional daquelas plagas.

Num giro rápido pela região, a tradicionalíssima cultura política sul-paraibana acusa, meio constrangida,  também a cassação do mandato do então prefeito João Vicente,  há oito anos passados. Tais episódios da política rocambolesca regional desde ontem fermentam comentários locais da isenção trirriense nesse abrupto processo de final de mandato. Nem muito, nem tão pouco. A história política de Três Rios não fica à  margem de tumultuados momentos de tempestades em seus mandatos eletivos, cassações, renúncias,recontagem de votos... A primeira Câmara de Vereadores, três anos após a sua instalação, foi obrigada, em 1950, a cassar o mandato do irreverente jovem vereador Jobal Soares de Azevedo(foto) e mais tarde,  para maior recrudescimento do tumulto do ambiente legislativo, o também jovem vereador Cézar Pereira Louro, com pouco interesse no mandato, requereu licença do cargo por período indeterminado, afastamento que se estendeu até o final daquela legislatura.

Na sessão ordinária de 9 de janeiro de 1973, dois vereadores - Armiro Marques e Devair Rodrigues da Silva, o Vica - renunciaram verbalmente aos mandatos. Todavia, mesmo com suplentes já convocados, dias após desistiram das renúncias,  argumentando que não  haviam oficializado. as mesmas.

Em 1982, aconteceu o embaraçoso episódio de destituição de um vereador, em um constrangedor e rumoroso caso  - e de grave natureza institucional: Hélio Carlos de Almeida – que não constou da divulgada listagem dos eleitos- foi o responsável pelo primeiro caso concreto de denúncia e comprovação de fraude eleitoral. De maneira determinada recorreu da ilegitimidade que impedira a sua eleição, conquistando o seu justo mandato após recontagem de votos. Por força dessa última forma foi destituído o vereador José Bento Argon Sobrinho, que já ocupava por algum tempo cadeira naquela Casa Legislativa. Esse episódio teve repercussão nacional e se inscreveu nos anais da política municipal como fato marcante e decisivo na moralização dos processos de apuração eleitoral, ainda naquela época com votação por cédula de papel e contagem manual de votos. Em 1988, em novo momento de convulsão política, a Câmara promoveu a cassação do jovem vereador Gustavo Pereira Veloso, afastamento motivado por suas longas ausências dos trabalhos plenários e punição amparada pelo Regimento Interno da Casa.

Em 31 de janeiro de 1977,  teve início o mandato do prefeito Waldir Medeiros, que o cumpriu integralmente no quadriênio estabelecido. Quase ao término do seu governo, foi surpreendido com a decisão do governo federal em prorrogar por dois anos os mandatos dos prefeitos. Cumpriu essa dilatação de tempo  por mais de um ano,  para renunciar  em 5 de maio de 1982, quando transmitiu a chefia do Poder Executivo ao vice-prefeito Micheli Félix. Deixo nessas linhas, alguns poucos traços de crises políticas registradas em Três Rios. Foram pinçadas aleatoriamente, como numa mostra de que nossa temperatura na vida institucional não foi tão bem arrefecida, como se comenta nos  últimos dias.