EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA | TR Revista

EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA



OS MALTRATADOS OITIS DA MALTRATADA PÇA DOS PEIXINHOS

É mais do que oportuno que hoje, Dia do Meio Ambiente, fique aqui ecoada uma voz lamuriosa em lamento ao precário estado da popular Praça dos Peixinhos.
Bem ensina a nossa História que aquele recanto, no final do século XIX, era denominado como “Campo”, espaço bucólico distante da então movimentada estação ferroviária. Certamente o que deu identidade institucional e histórica àquele lugar entrerriense foi a movimentada “Escola do Campo”, regida pelo professor Carlos Antônio de Figueiredo, auxiliado por sua filha professora Jovina de Figueiredo Sales  (Kling,1969) e que hoje é patrona de uma escola municipal. Também, mais tarde, a Casa de Caridade de Paraíba do Sul criou ali uma escola de primeiras letras, escola encampada em 1911 pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, dando-lhe o nome oficial de Escola Condessa do Rio Novo. Esse estabelecimento teve vida até o final dos anos 60.
Já com Entre-Rios emancipado, o local também recebeu obras de urbanização e a praça que ali foi construída recebeu o nome oficial de Praça Antônio Mendes. O patrono do logradouro por anos a fio foi o laborioso fiscal da Prefeitura de Paraíba do Sul junto ao então nosso distrito. Muito realizou em sua gestão, obras de melhoramentos até hoje beneficiando nossa cidade.
A justa e importante homenagem a Antônio Mendes aconteceu nos anos 40 (Coutinho, 1976) e tempos depois alguns políticos desavisados tentaram derrubar a homenagem denominativa, "imbróglio" que causou forte reação popular, inclusive no citado historiador Coutinho, então vereador da nossa Câmara de Vereadores.
Entre os labores do fiscal Antônio Mendes está um importante trabalho de arborização da espécie oiti. Mesmo antes da urbanização pós-autonomia plantou essas árvores no espaço da futura praça, assim como os oitis da Praça da Autonomia,  então Praça Oscar Weinschenck. Também os oitis paralelos à nossa agência dos Correios e o bonito conjunto do Colégio Condessa do Rio Novo. Ao que parece esses plantios aconteceram no período de 1927 - 1930.
Antônio Mendes faleceu com avançada idade nos anos 50, solteirão, não deixou filhos e sua descendência é hoje representada por muitos sobrinhos-netos.
Tempos após a sua partida a praça recebeu obras de embelezamento e um lago foi construído no seu centro e nele foram colocados peixinhos decorativos e não tardou o logradouro receber o nome popular de Praça dos Peixinhos.
Hoje, é uma praça abandonada pelas atenções da administração pública municipal. Objeto de muitos protestos também pela má ocupação noturna, frequente local de denúncias constrangedoras e de graves ocorrências policiais.
Hoje, cinco de junho, dia consagrado ao Meio Ambiente, chama a atenção o precário estado dos antigos oitis que guarnecem a praça e suas cercanias. Maltratados oitis da maltratada praça dos peixinhos. Parecem doentes. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro conta com um departamento para tratar árvores enfermas, e é um serviço de socorro gratuito. Basta às prefeituras solicitar.
Fica assim um caminho para as águas ao bom amigo e antigo companheiro de lutas, José de Almeida Rodrigues, nosso polivalente festejado Secretário de Meio Ambiente. Mãos à obra!
... E viva o nosso meio ambiente!