EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/ CENAS URBANAS ATRAVÉS DO TEMPO... | TR Revista

EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/ CENAS URBANAS ATRAVÉS DO TEMPO...



...ARREMATADAS POR UMA LENDA

Não é de hoje que o centro urbano rodoviária velha - Praça da Autonomia rende histórias por Três Rios.
E vamos contá-las aproveitando do recurso tão bem-vindo de imagens de um esvanecido ontem e de um hoje repleto de interrogações ao futuro que aguarda aquela área.

1. A primeira foto retrata a Capela de São Sebastião, templo cristão que serviu à comunidade católica entrerriense de 1890 a 1936.Antes da construção da referida capela a área era um vasto terreno que servia à companhia construtora da Estrada Carroçável União e Indústria;

2. Após a demolição da capelinha, para o abrigo espiritual dos católicos na então recém construída Igreja Matriz de São Sebastião, na hoje praça do mesmo nome, no espaço surgiu a Praça Visconde do Rio Novo - esposo da Condessa do Rio Novo, falecido em 1869 - uma homenagem póstuma da administração municipal sul-paraibana.
O entorno da praça era animado por uma intensa movimentação de transeuntes, alguns veículos, casas comerciais, bares, hotéis e muito favorecida pela natural animação promovida pela estação da estrada de ferro na sua vizinhança;

3. Era 1955 e o carismático político Joaquim José Ferreira iniciava como prefeito aquela que viria a ser a sua primeira administração municipal ( a segunda aconteceu de 1963 -1967 ).
Aproveitou a área da antiga praça para lá construir um terminal rodoviário, a Rodoviária Roberto Silveira, uma homenagem ao falecido governador estadual. Com a construção de um novo terminal rodoviário nos anos 80, logo o primeiro recebeu o prosaico batismo popular de " rodoviária velha";

4. No ano de 2014, Três Rios,  já sob o segundo governo do afoito prefeito Vinícius Farah, a rodoviária velha - cansada de guerra - palco infalível de grandes e de menores acontecimentos, dava mostras de que necessitava de cuidados em sua estrutura física. Daí foi anunciada, ao espocar de fogos e muita divulgação na mídia local, uma “revitalização” que daria dignidade urbana àquela obra pública. Choveram os aplausos!

5. Ainda nos idos de 2014,  teve início a demolição do antigo terminal rodoviário. O seu tradicional comércio foi, temerariamente, transferido - ao dizer da autoridade municipal " só por uns três meses”  - para a protegida por preservação histórica Praça da Autonomia,  e com  um horroroso painel de frágeis folhas metálicas trataram de cercar a área demolida , em poluição visual do local, mas sob mais uma promessa: a de breve entrega daquela obra ;


6. Em 18 de junho de 2016, dois anos depois do anúncio da obra e da demolição festiva,  o povo trirriense foi surpreendido com a infausta notícia de que a tão mal falada crise econômica nacional, entre tantos entreveros, abortara aquele prometido e necessário insumo público... E com os devastadores rastros deixados pela frustrada obra: o recrudescimento das terríveis questões sociais da Praça da Autonomia, da dolorosa quebradeira do comércio vizinho aos tapumes, das dificuldades de mobilidade urbana, e mais uma gama de pouca visão governamental, uma anti - administração municipal.
Os insólitos tapumes metálicos foram retirados, obras de tapa-buraco estão acontecendo, todavia a infalível falta de transparência do governo do município vai muito bem, obrigada. A eufórica voz oficial ainda não anunciou o que aquela histórica área abrigará dessa vez.
Muito embora, a bolsa de apostas já dê como infalível uma certa ocupação prioritária ...

7. E por derradeiro, desse longo e dolorido libelo, deixo  abaixo, aos meus bondosos e pacientes leitores o fac-símile da Lenda do Dragão da Capelinha , página 121,do meu livro didático " Aprendendo nossa Terra " ( 2004),quiçá para uma reflexão. Boa noite, se possível.