EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/ COMO SURGIU O MONUMENTO À MÃE PRETA | TR Revista

EZILMA TEIXEIRA RELEMBRA/ COMO SURGIU O MONUMENTO À MÃE PRETA



 

 

MÃE PRETA- 56 ANOS

(texto de 2012, reeditado em homenagem à aproximação da data de inauguração do importante monumento e atendendo a pedidos de gentis leitores )

Já desde a década de 50, José Soares colaborava semanalmente com artigos no Entre-Rios Jornal.Ele não era de Três Rios, ao que parece aqui aportou nos anos 30/40 e logo teve profunda integração com o povo entrerriense, e interesse pelas suas tradições.

José Soares tinha uma microempresa onde fabricava e comercializava pequenas peças de mármore, por isso mesmo era conhecido por Soares Marmorista.Teve militância política, naqueles tempos era chamado, meio à boca pequena, de "comunista", pela sua fixação em uma sociedade sem classes.
Em dezembro de 1960, em um artigo do jornal, lançou uma campanha para se construir um monumento em homenagem à mãe preta, que declarava mãe duas vezes, “Mãe do filho de suas entranhas e mãe do filho branco do sinhô e sinhá” - tal como deixou escrito.
Depois de se estender em justas e acertadas considerações em favor de sua sugestão, José Soares fazia um convite, citando mesmo nominalmente várias pessoas que poderiam ajudar a levar avante sua campanha.
Logo iniciado o ano de 1961, José Soares promoveu uma reunião em sua casa na tentativa de constituir uma comissão de propaganda Pró-Construção do Monumento à Mãe Preta. Dela fizeram parte os ex-vereadores Armando de Almeida e Luiz Gonzaga Ribeiro de Carvalho. A dita comissão ainda contava com José Marques, Nilo Correia da Silva, José de Oliveira, Avelino José Correia, Etelvino Miranda Paulino, Hilda Santana Soares e Hugo José Kling.
Após várias iniciativas dessa comissão, no dia 29 de janeiro de 1961, foi formada a comissão executiva para a construção do monumento.
O então prefeito, César Pereira Louro, foi o presidente de honra e a primeira-dama Déa Fonseca Louro foi a presidente da comissão. Os demais cargos foram ocupados pelo vereador Hélio Carlos de Almeida, Manoel Juventino Santana, Hugo José Kling, Antero Ribeiro de Azevedo, Valter Pereira, Antônio Maximiano, Pedro Braz, Pedro dos Santos, Fuad Elias Auad e Manoel João, entre outros notáveis.
Mais tarde outros nomes vieram se juntar à campanha que tomou vulto e que contou com ampla colaboração popular. Não obstante o entusiasmo para a construção do monumento, reações contrárias surgiram. Umas declaravam que a quantia que se arrecadava para a ereção do monumento teria melhor destino no socorro aos necessitados, outras tinham cunho em preconceito racial, ainda outras que consideravam que a iniciativa poderia suscitar ideia de discriminação racial.

O monumento e a praça

Após quase dois anos e meio de luta pelo ideal, o monumento à Mãe Preta foi inaugurado na tarde do dia 13 de maio de 1963.
Seu busto em bronze apresenta uma escrava embalando uma criança, numa tradução à abnegação, paz, ternura, carinho da mulher escrava ao filho do senhor.
A efígie encerra, também, a importância da mulher escrava no processo do desenvolvimento local e uma decorrente gratidão dos que a sucederam.
O busto é amparado por pedra de granito, onde consta placa com o nome da comissão de preitos para aquele monumento, data de inauguração e trova comemorativa de autoria do poeta Antônio Coutinho Júnior.
Ignora-se  o nome do autor do monumento.
O espaço onde está erigido o monumento foi denominado Praça da Mãe Preta.

O ementário dos logradouros públicos da Prefeitura do Município apresenta dois atos (Lei/Decreto) para esta denominação oficial: um de número 247, de 12 de março de 1957 e outro de número 352, de 04 de agosto de 1960.

PS: a maior parte dos dados sobre a estátua da Mãe Preta foram colhidos do livro “Cinzas que falam “,1971,Ed. Esdeva,  do historiador Hugo José Kling, que, inclusive, fez parte da comissão pro ereção da estátua.