GENTE/ANDERSON LUIZ ANDRADE DA COSTA | TR Revista

GENTE/ANDERSON LUIZ ANDRADE DA COSTA



"QUEM TE OFERECE DROGAS NÃO É SEU AMIGO" 

 

O leva um jovem inteligente, bom filho e cheio de ‘amigos’ a se envolver com as drogas? A dependência química tem cura, ou é um caminho sem volta? Nesta entrevista exclusiva para o TR Revista, Anderson Luiz Andrade da Costa, formado em Comunicação Social, membro atuante da equipe da Coordenadoria de Políticas Antidrogas, conta sua história de superação e agradece aos que o ajudaram a sair do “lixo” e chegar ao “luxo”      

TR – QUAL FOI O SEU PRIMEIRO CONTATO COM AS DROGAS, E UANTOS ANOS VOCÊ TINHA?

ANDERSON – Comecei i fumando maconha, por influência de amigos. Se é que posso considerá-los como meus amigos, pois quem oferece droga não é seu amigo.

TR – VOCÊ MORAVA COM OS SEUS PAIS? ELES PERCEBERAM QUE VOCÊ ESTAVA USANDO DROGAS?

ANDERSON – Sim, eu morava com os meus pais e eles sempre Souberam, pois a maconha, como todas as outras drogas, modifica o comportamento, deixando os olhos bem vermelhos.

TR – QUAL FOI A REAÇÃO DELES?

ANDERSON – Meu pai nunca aceitou. Entendo que qualquer pai não almeja ver o filho trilhando um caminho tão sinuoso como o da dependência química. Minha mãe, como qualquer mãe, tinha o instinto de querer me proteger, mas sempre me aconselhava a parar.

TR – QUANDO VOCÊ SE RECONHECEU COMO DEPENDENTE QUÍMICO, PERCEBENDO QUE A DROGA JÁ FAZIA PARTE DA SUA VIDA?

ANDERSON – Quando vi que já não tinha mais controle sobre a situação. Todo dependente químico argumenta que tem controle e para quando quiser, mas eu afirmo que não é bem assim. O vício das drogas se torna compulsivo, e dificilmente você consegue dominá-lo.

TR – VOCÊ TRABALHAVA? COMO FAZIA PARA CONTINUAR COMPRANDO DROGAS?

ANDERSON – Sim, trabalhei por cinco anos em uma rádio muito conhecida, comandava dois programas líderes de audiência e usava meu pagamento para comprar e sustentar meu vício.

TR – QUAIS AS DROGAS QUE VOCÊ USOU?

ANDERSON – Comecei usando maconha e depois migrei para o crack.

TR – TENTOU ALGUMAS VEZES SE LIVRAR DO VÍCIO? O QUE TE FAZIA VOLTAR A USAR?

ANDERSON – Sim, tentei por várias vezes. Estive internado em comunidades terapêuticas, (clínicas), por vinte vezes, durante os sete anos em que vivi na dependência química.

TR – QUANDO VOCÊ PERCEBEU QUE TINHA CHEGADO AO FUNDO DO POÇO?

ANDERSON – Percebi que tinha chegado ao fundo do poço quando me entreguei por inteiro ao crack. Peregrinava pelas ruas de Três Rios pedindo dinheiro, pois já havia perdido tudo.

 TR – QUAL FOI O LOCAL ONDE PROCUROU AJUDA? PODE DIZER SE NESTE LOCAL OBTEVE RESULTADO?

ANDERSON – Foi no Caps Zilda Januzzi, conhecido popularmente como Caps AD. Olha, o Caps AD sempre contou com uma equipe de excelência, dirigido pela renomada psicóloga Dra. Octávia Barros. Mas para ter resultado, além da estrutura é preciso que o  dependente químico entenda e aceite que precisa de ajuda.

TR – TEVE RECAIDAS?

ANDERSON – Sim, várias. Não ficava mais de cinco dias internado no Caps. Vou esclarecer que o dependente químico não é obrigado a ficar internado contra a sua vontade. Para obriga-lo a ficar, é necessário um pedido de internação compulsória, quando a Justiça o obriga a se tratar.

TR – HÁ QUANTO TEMPO VOCÊ ESTÁ “LIMPO”?

ANDERSON – Estou “limpo” há exatos quatro anos.

TR – SABEMOS QUE MUITAS PESSOAS TE AJUDARAM NA LUTA CONTRA A DEPENDÊNCIA QUÍMICA. PODE CITAR OS NOMES DESSAS PESSOAS? O QUE GOSTARIA DE DIZER A ELAS?

ANDERSON – Em primeiro lugar, minha tia Sandra. Lutou dia após dia dentro do fórum de Três Rios, até conseguir a liberação da minha internação compulsória. Em segundo lugar, o Pastor Brainer Massi, presidente da renomada Comunidade Terapêutica Casa de Profetas. Ele foi um pai para mim. Aceitou um desafio, um caso que para muitos já era considerado  perdido. Meus primos, Tarcila Andrade, Gláucia Cristina, Tatiane Andrade, Marco Vinícius Andrade, meu tio Lamba, minha avó Manoela Andrade, minha madrinha Scheila Ferreira, minha tia Georgeta, meu pai e meu irmão. Meu psicólogo, que se tornou um amigo, Pedro Schmitz; meu coordenador e amigo Rafael Rapozo, que me deu a grande oportunidade da minha vida, um emprego. Hoje faço parte da Coordenadoria de Política Antidrogas, e não posso deixar de agradecer muito ao nosso Prefeito Josimar Salles, que confiou em mim, me ajudou a iniciar uma nova vida, pois para ter dignidade um homem precisa de trabalho, e este maravilhoso trabalho que consegui me foi proporcionado pelo Prefeito Josimar. Vou agradecer a ele e ao meu coordenador Rafael Rapozo pelo resto de minha vida.  Lembro que Três Rios é a única cidade no interior do Estado do Rio que conta com uma Coordenadoria  completamente voltada para oferecera amparo e tratamento para quem realmente deseja se livrar da dependência química. Hoje o projeto do meu Coordenador Rafael Rapozo vem sendo implantado em cidades vizinhas.

TR – COMO É A SUA VIDA HOJE?

ANDERSON – Minha vida hoje é uma vida de qualidade. Como citei acima, hoje uso de toda a experiência que obtive quando estava na dependência química para ajudar e servir de exemplo com minha história de superação para aqueles que precisam.

TR – FALE SOBRE OS TRABALHOS QUE DESENVOLVE ATUALMENTE, TANTO NA  PREFEITURA QUANDO NA ÁREA SOCIAL, AUXILIANDO PESSOAS CARENTES.

ANDERSON – Como disse, faço parte d Coordenadoria de Políticas Antidrogas do município. E atendo com a ajuda  de amigos que se uniram a mim, e montaram uma corrente do bem, a várias pessoas carentes, doando alimentos, fraldas, leite, remédios etc.

TR – VOCÊ SE CONSIDERA CURADO, LIVRE DAS DROGAS PARA SEMPRE?

ANDERSON – Sim, digo isto com convicção, graças a Deus em primeiro lugar e também aqueles que me apoiaram mesmo que de longe, em oração. Digo sempre que já conheço os dois extremos da vida, o lixo e o luxo. Então, automaticamente já sei o caminho que vou ter que percorrer caso eu recaia. Não digo que desta água não beberei, mas hoje, depois de tudo que já passei no mundo das drogas, eu não cogito jamais, e digo sempre que esta palavra recaída não faz parte da minha vida.

TR – QUAIS OS SEUS PLANOS PARA O FUTURO?

ANDERSON – Meu plano para o futuro é começar a falar de Jesus com cada um desses jovens e adultos que se encontram com suas vidas destruídas por causa das drogas. Mostrar para eles que dependência química tem cura, sim. Basta você se aceitar e se permitir ser ajudado e  deixar sempre o Espírito Santo de Deus agir.

TR – GOSTARIA DE DEIXAR UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ LUTANDO CONTRA A DEPENDÊNCIA QUÍMICA? E PARA AQUELES QUE JÁ LUTARAM E DESISTIRAM, O QUE GOSTARIA DE DIZER?

ANDERSON – A mensagem que deixo é que procurem rever seus conceitos. Deem a si mesmos uma chance. Dependência química tem cura, sim. Procurem a Coordenadoria de Políticas Antidrogas, na Rua Padre José Meyer, popularmente conhecida como Praça da Rua da Feira, no bairro de Vila Isabel.  Atendemos de segunda a sexta feira, de 9 horas ao meio dia e de duas horas às cinco da tarde. O espaço foi criado para você, que está enfrentando a árdua luta contra a dependência química e reconhece que sozinho não vai conseguir. Procure-nos, a vida é muito mais linda quando é vivida na sua totalidade, sem o uso de substâncias químicas nenhuma delas vai te fazer feliz.

TR – QUEM ERA O ANDERSON DE ALGUM TEMPO ATRÁS? E QUEM É O ANDERSON HOJE?

ANDERSON – o Anderson de quatro anos atrás era um mendigo quem peregrinava dia e noite pelas ruas de Três Rios, buscando recursos para se drogar.  O Anderson de hoje é um servo do Senhor, realizado, que faz o que ama, que é ajudar o próximo. Obrigado ao TR Revista pelo espaço, espero poder ajudar alguém que esteja passando pelo mesmo drama que eu passei.